banner01

Uso de bebidas alcoólicas aumenta durante o isolamento social

Imagem de pessoas tomando cerveja. Em primeiro plano as mãos e os copos.

O uso de substâncias que alteram a percepção da realidade é feito pela humanidade desde os primórdios das civilizações e a bebida alcoólica pertence a esse nicho de substâncias. Neste artigo do blog da Amparo Saúde vamos falar sobre uso abusivo de álcool e pandemia. Fique com a gente.

01_ILUSTRAÇÃO (1)

 O álcool é uma droga lícita e cultuada socialmente, está presente na cultura brasileira e de maneira acessível para todos, inclusive para os adolescentes, apesar de ter a sua venda proibida para menores de 18 anos. O álcool é a droga psicotrópica mais consumida no país.

Apesar de estudos apontarem benefícios no consumo de álcool, quando numa quantidade razoável, como no caso do vinho, por exemplo, a Organização Mundial da Saúde considera que não existe limite seguro e que os prejuízos à saúde são progressivos conforme a quantidade consumida. 

Podemos identificar uma linha tênue entre o consumo considerado inofensivo e o consumo que se torna um hábito frequente, o que é bastante preocupante, pois a pessoa pode estabelecer uma relação de dependência alcoólica. Essa dependência causa inúmeros danos para a saúde física, mental e social da pessoa, além de ser um problema com diversas implicações sociais.

Pesquisas indicam que por conta do isolamento social ocasionado pela pandemia de COVID-19, em 2020 o consumo de álcool aumentou expressivamente entre os jovens. Para a população mais velha, já acometida por problemas como ansiedade e depressão, foi identificado um risco ainda mais acentuado do uso abusivo de álcool 

Fatores como a restrição de funcionamento de bares e restaurantes, somados ao comportamento cultural de ingerir bebida alcoólica para lidar com o estresse do isolamento social, estão relacionados ao aumento da procura pelo álcool entre a população. O álcool está diretamente relacionado à dependência química e seu consumo excessivo representa um sintoma de outros problemas de ordem mental associados a um ambiente facilitador.

Clique aqui para receber dicas de saúde direto no seu e-mail

Quanto aos danos provocados pelo consumo abusivo de álcool, podemos pensar em danos biológicos, familiares e sociais

No âmbito biológico, inúmeros estudos demonstram os efeitos nocivos do álcool para o organismo, como doenças hepáticas, alguns tipos de câncer e outras doenças potencialmente irreversíveis e fatais. 

Do ponto de vista das relações familiares, o uso abusivo de álcool fragiliza a relação do sujeito com a sua família e amigos, o que, em muitos casos, causa danos psicológicos e emocionais profundos nas pessoas que o cercam.

 Na esfera social as mudanças comportamentais podem impactar as relações de trabalho, aumentar os índices de violência doméstica, suicídios, mortalidade e acidentes de trânsito. 

Para se ter uma ideia de como o alcoolismo impacta a sociedade, segundo estudos feitos nos Estados Unidos, índices de alcoolismo entre 67% e 93% são observados em maridos que espancam as suas esposas Violência doméstica, abuso de álcool e substâncias psicoativas).

Esses números demonstram que, além de ser a droga mais consumida, o álcool é aquela que mais causa danos sociais e, no Brasil, o seu consumo tem ocorrido cada vez mais cedo. 

Os adolescentes iniciam sua “vida social alcoólica” porque em muitos contextos a inclusão social se dá pelo consumo da droga em festas, reuniões sociais e outros ambientes em que a bebida alcoólica se apresenta como mediadora das relações. 

 O agravamento do consumo coletivo surge em meio a cultura que fomenta o uso intensivo e a fantasia de que o álcool não causa danos à saúde, já que estes podem surgir paulatinamente e de maneira silenciosa. No discurso social, o álcool nem mesmo é considerado uma droga pela maioria das pessoas, mesmo para aqueles que sofrem as consequências do padrão de uso abusivo. 

Diante do problema que, portanto, é também social, se faz necessário pontuar que existem alguns níveis de ações possíveis nos diversos modos de cuidado, já que nem todo uso será problemático e os cuidados não são iguais para todos os casos.

 O primeiro passo é pensar maneiras coerentes de prevenção ao uso abusivo de álcool, o segundo é apresentar informações de cuidado para que o uso não se torne prejudicial, e por último, pensar ações de cuidado direcionados aos casos crônicos, quando o padrão de uso se tornou recorrente e problemático. 

Durante muito tempo as ações de cuidado sobre a temática do álcool e outras drogas foram de linhas repressivas e polarizadas, entre o uso e a abstinência total, e mediante a insuficiência da abordagem.

Hoje, o diálogo foi ampliado e o debate entre os usuários e os cuidadores cresceu, possibilitando que a estratégia de Redução de Danos, método de cuidado adotado por diversos países como política pública e com resultados positivos, se tornasse uma alternativa.

A prática de Redução de Danos é rica em conversas e trocas entre os pares sociais, pois o sujeito tem voz ativa, pode se expressar de maneira sincera dentro das suas necessidades e limitações e, acima de tudo, ser acolhido em sua existência. 

A prática de cuidado de Redução de Danos coloca o sujeito em uma posição de autonomia e responsabilidade no manejo de seus desejos, diferentemente da lógica de abstinência total, que pode impor ao usuário o lugar de doente ou insano, incapaz de responder por si mesmo    Essa mudança de perspectiva é extremamente eficaz.

02_ILUSTRAÇÃO

Nesse sentido, é importante pensar tanto na prevenção do uso prejudicial, quanto no tratamento da pessoa que faz uso abusivo de álcool, além do acolhimento das motivações para o investimento na qualidade de vida. 

O uso da droga não precisa ser compreendido como algo carregado de estereótipos ou atribuído a doença necessariamente, pois reitera-se: nem todo usuário abusivo é um dependente. Deve-se analisar o modo como se faz uso e quais os significados são atribuídos a esse uso por cada pessoa, rompendo assim com um modelo estigmatizante, que mais pode causar culpa e medo no sujeito que motivar a potencialização de hábitos saudáveis.

Clique aqui para receber dicas de saúde direto no seu e-mail

Fontes:
https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/alcoolismo

FERREIRA, L. N., et al. Prevalência e fatores associados ao consumo abusivo e à dependência de álcool. Ciência & amp; Saúde Coletiva, v. 18, n. 11, p. 3409-3418, 2013.

COSTA, J. S. D., et al. Consumo abusivo de álcool e fatores associados: estudo de base populacional. Rev Saúde Pública, v. 38, n. 2, p. 284-291, 2004.